Pensando para o Idoso

Quando as pessoas ficam idosas, exigem-se cuidados especiais devido suas limitações dos fatores de risco intrínseco, que são aqueles que acontecem pelos fatores das alterações fisiológicas do envelhecimento, como a diminuição da audição, da visão e alteração de equilíbrio e locomoção, ou por doenças que predispõem à queda, como doenças cardíacas e labirintite. A adaptação e decoração de seu domicílio, deixando-o mais funcional e organizado e a conscientização do idoso de que a mudança tem por objetivo a melhoria da qualidade de vida é o primeiro passo para uma vida mais saudável.

De acordo com o balanço da Secretaria de Estado da Saúde, no estado de São Paulo, a mortalidade por queda de idosos com mais de 60 anos aumentou quatro vezes nesta década. A maior parte das quedas, que por definição são causas evitáveis, acontecem dentro de casa, onde a maioria são com mulheres. Por outro lado, tendo a residência a condição de adaptada ao ideal e segura, reduz em 80% a possibilidade de queda por acidente.

Pensando de acordo com o perfil da terceira idade devemos nos livrar dos fatores de risco extrínsecos dentro da residência, ou seja, adaptar os ambientes alterando os moveis, organizando os espaços, distribuindo os objetos e instalando equipamentos a fim de evitar possíveis quedas e, consequentemente, fraturas, dor, sequelas e perda de qualidade de vida. Essas alterações são importantes e eficientes dentro do domicílio para que assim possa se prevenir do que mais tarde remediar.

O projeto ou reforma de uma casa para idosos, doentes ou aqueles que possuem dificuldades para realizar atividades básicas reconhece as necessidades de conforto, facilidades e segurança nas tarefas da rotina diária. Desse modo, o Arquiteto Tarso Todesco sugere algumas dicas para evitar os riscos escondidos em alguns cômodos:

- Banheiro: É aqui onde mais se deve ter cuidado. Nesse ambiente o risco de queda é facilitado por ser um local onde se lida com água, então é de extrema importância que o piso seja antiderrapante. Tanto nas paredes do box quanto nas laterais do lavatório e vaso sanitário são necessárias barras de apoio para facilitar a locomoção, e dentro do box, uma cadeira retrátil fixada na parede. O tapete que houver deve ser emborrachado para que grude no chão a fim de evitar deslizes. Também é fundamental que os vasos sanitários sejam elevados com a utilização de assentos removíveis.

- Corredor: Tanto o corredor, quanto o resto da casa, deve ser servido de boa ventilação e iluminação. Lâmpadas fracas dificultam a visão não deixando perceber se há algum possível obstáculo, causando acidentes principalmente à noite no caminho do quarto para o banheiro. Neste local pode-se adotar o uso de balizadores, que é o tipo de luminária que pode ser instalada rente ao chão e que serve para ajudar a sinalizar o caminho podendo ficar acesas durante a noite toda sem que atrapalhe. Os interruptores devem estar em fácil localização e barras de apoio fixadas na parede caso a passagem seja comprida. Lembrando que o caminho tem que estar completamente livre, sem tapetes, fios de telefone, móveis baixos, animais pequenos, brinquedos, dentre outros.

- Escada: Este é um lugar crítico da casa. A recomendação é que ela seja preferencialmente espaçosa assim como todos os outros ambientes da casa e que possua corrimãos bem fixados nos dois lados. A sinalização com fita adesiva antiderrapante de cor contrastante nas pontas dos degraus é indicada para que a pessoa possa visualizar melhor e ter firmeza nas pisadas.

- Quarto: A cama muito baixa ou com colchão muito macio é ruim e perigoso para o idoso, pois dificulta o exercício de se levantar e deitar. Para não ter que levantar no escuro recomenda-se ter o interruptor ou um abajur ao lado da cama.

Estas são apenas algumas recomendações básicas, dentre muitas, que se pode adotar no seu domicílio. Com a ajuda de um Arquiteto ou outro profissional capacitado há diversas outras mudanças que podem ser feitas, como em portas, janelas, móveis, decoração, dentre outros, tornando a vida ainda mais segura. Investindo nessas adaptações de prevenção o número de acidentes reduz e ao mesmo tempo os gastos com médicos e hospitais, permitindo a melhora da qualidade de vida do idoso e de quem vive com eles.

Fonte: Tarso Todesco – Arquiteto

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